O começo
Tem histórias que não começam com uma ideia. Começam com uma vivência.
Maria Rita cresceu num ambiente onde se falava de negócios, de dinheiro, de investimento, mesmo que aquele mundo não tivesse sido feito para ela. Aprendeu a circular em espaços que não foram construídos para pessoas como ela, sem perder a essência de quem era. Mas carregou por muito tempo algo que nenhum ambiente profissional ensinava a resolver: a falta de pertencimento. A ausência de espelhos.
Foi desse lugar que nasceu o trabalho. Ao longo dos anos, por meio de mentorias individuais, em grupo e cursos, Maria Rita apoiou e formou mais de 550 afroempreendedores. Não com fórmulas prontas. Com escuta, com presença, com o entendimento de que cada negócio carrega a história de quem o constrói, e que ignorar isso é ignorar tudo.
Em algum momento, o que era um trabalho virou uma certeza: empreendedores negros precisam de um espaço próprio. Não um espaço adaptado, não um conteúdo genérico com diversidade na foto de capa. Um espaço construído desde a fundação que considerasse o caminho de vida, o momento do negócio, as dores específicas de quem empreende muitas vezes por necessidade, muitas vezes sem rede de apoio, muitas vezes sozinho.
Foi com essa certeza que a ideia da Gira começou a tomar forma.
Quando Maria Rita dividiu essa visão com Janaina, que já a conhecia de perto, como mentoranda, a resposta foi imediata. Janaina trouxe consigo a experiência de quem também havia trilhado o caminho do empreendedorismo e sabia o quanto a comunicação pode ser a diferença entre um negócio que se faz ver e um que permanece invisível. A partir daí, passou a construir a identidade e a voz da Gira, com um propósito claro: garantir que esse espaço chegasse a quem precisava.
O nome carrega a essência do que a escola representa. Gira, no imaginário das tradições de matriz africana e afro-indígena do Brasil, é movimento, é força que circula, é energia que transforma. É também encontro de pessoas, de histórias, de caminhos que se cruzam. Não por acaso, é exatamente isso que a Gira propõe: colocar afroempreendedores em movimento, em comunidade, em crescimento.
A escola nasce com uma metodologia pensada para diferentes estágios do negócio, de quem está começando a quem quer escalar, e com a convicção de que empreender não precisa ser solitário. Que é possível construir uma base sólida quando se tem as ferramentas certas e as pessoas certas ao lado.
A Gira é o espaço que Maria Rita não teve quando precisou. É o espaço que Janaina não teve quando aprendeu, ainda jovem, que precisaria ser firme, altiva e encontrar sozinha as respostas que ninguém dava. É o espaço que muitos ainda estão esperando encontrar.
Agora ele existe.