A Gira nasceu e você pode chegar…
- Maria Rita Araujo

- 11 de mai.
- 2 min de leitura
A Gira nasce de uma convicção profunda: empreendedores negros não podem continuar sendo vistos apenas pela lente da falta. Falta de acesso, falta de capital, falta de oportunidade, falta de conhecimento. Essas barreiras existem e precisam ser nomeadas. Elas fazem parte de uma estrutura histórica que impacta diretamente nossos negócios.
Nosso olhar aqui na Gira começa em outro lugar: na potência. Na inteligência construída em contextos difíceis. Na criatividade desenvolvida quando os recursos são poucos. Na habilidade de negociar, adaptar, acolher, vender, reinventar e seguir em frente mesmo quando o cenário diz o contrário.
Os números também mostram essa força. No Brasil, a população negra representa a maioria (56%) do país e movimenta bilhões de reais em consumo todos os anos. Ao mesmo tempo, milhões de pessoas negras (cerca de 15,6 a 16 milhões de donos de negócio) encontraram no empreendedorismo uma estratégia de geração e complemento de renda. O afroempreendedorismo movimenta aproximadamente R$ 2 trilhões por ano. (DataSebrae, 2025). Ainda assim, muitos desses negócios operam com menos acesso a crédito, menos redes estratégicas e apoio técnico comparado a negócios de pessoas brancas.
Existe ainda outro desafio importante: o tempo que o dinheiro circula dentro das nossas comunidades costuma ser curto porque não somos os detentores dos meios de produção. Em muitos territórios negros, o recurso entra e rapidamente sai, sem permanecer tempo suficiente para fortalecer negócios locais, gerar empregos, ampliar patrimônio e criar ciclos sustentáveis de prosperidade. Quando compramos, investimos e fortalecemos empreendimentos negros, aumentamos a permanência desse capital entre nós e ampliamos o impacto coletivo.
O que afirmamos é que não existe glamour na escassez. Não existe beleza em precisar fazer muito com quase nada. Sobreviver nunca deveria ser a única opção. Por isso, reconhecer nossa força não significa ignorar desigualdades. Significa entender que, apesar delas, produzimos competências valiosas que merecem ser transformadas em estratégia.
A sobrevivência nos ensinou muito. Ela ensinou leitura rápida de cenário. Ensinou flexibilidade. Ensinou gestão de crise. Ensinou a criar alternativas. Ensinou a sustentar sonhos em meio à falta. O que antes era ferramenta para resistir pode, com estratégia, se tornar ferramenta para prosperidade coletiva.
Transformar o quase nada em muito não deveria ser nosso caminho, mas já que aprendemos a fazer isso, também podemos aprender a transformar talento, esforço em resultado, conhecimento em negócio e gerar um novo conceito de prosperidade para a nossa comunidade.
É para isso que a Gira Escola de Afronegócios existe.
Para lembrar que nossas histórias não começam na carência, elas são material para uma transformação profunda e uma nova história que nasce por meio da educação.
Se você chegou até aqui, saiba: você não parte do zero. Você parte de experiências, saberes e capacidades que talvez nunca tenham sido devidamente reconhecidos.
Na Gira, serão.
Bem-vindes ao movimento.
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